SÓ A VERDADE NOS LIBERTARÁ

"Somos anjos perdidos. Asas mortas no chão desde a primeira audição da palavra impossível" F. Rocha

Textos

Às vezes, o amor não é o repouso que nos prometeram, mas um território de geada onde as palavras perdem o norte.

Pablo Neruda nos ensinou que amar é uma "viagem com água e com estrelas", mas esqueceu de mencionar que, em certas rotas, o céu se fecha e a água se torna pedra.

Os relacionamentos difíceis são como esses "versos mais tristes" que se escrevem no silêncio de uma noite fria: o esforço hercúleo de tentar ler um livro cujas páginas foram coladas pelo tempo ou pela mágoa.

O nó se aperta justamente no choque entre o que fere ao ser dito e o que corrói ao ser guardado.

É o "silêncio de estrela" que Neruda mencionava, mas sem a paz da contemplação; um vácuo que pesa como cimento.

Quando as palavras saem, vêm como navalhas, tentando cortar o que já está gasto; quando se calam, tornam-se uma muralha invisível onde cada um ouve apenas o eco do próprio cansaço.

É o paradoxo do "amo-te e não te amo", onde se quer ser ouvido, mas teme-se que a verdade desmorone o que resta.

Viver nesse equilíbrio é como caminhar sobre o mar em plena tempestade, insistindo em encontrar a raiz de uma flor que o inverno já levou.

No fim, a lição nerudiana talvez seja aceitar que a despedida também é uma forma de poesia, e que deixar ir exige tanta coragem quanto o primeiro beijo.

Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 16/03/2026
Alterado em 16/03/2026
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