

O homem caminha sobre a terra com o passo pesado de quem se sente dono do chão, esquecendo-se de que é apenas um hóspede de passagem. Ergue muros, acumula títulos e tranca cofres, mergulhado na ilusão de que a posse é um direito eterno. Pobre tolo: ele não detém o fôlego que o sustenta, nem o tempo que lhe escorre entre os dedos como areia fina. Na verdade, tudo o que ele chama de "meu" — o corpo, o intelecto, a própria herança — são bens em comodato. Somos meros fiéis depositários de uma fortuna que não nos pertence. O Senhorio, em Sua paciência silenciosa, concedeu-nos o usufruto da vinha para que cuidássemos dela, não para que nos julgássemos seus criadores. No relógio do absoluto, o prazo de devolução é irrevogável. Quando as cortinas se fecharem, o homem perceberá que nada leva na mão, pois o verdadeiro dono virá reclamar a conta e colher os frutos do que foi confiado, deixando ao orgulhoso apenas o peso de sua própria vacuidade. Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 21/03/2026
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