

"A cidade pulsa em um ritmo que não me pertence. Sob o neon vibrante que tinge as calçadas, o brilho é apenas uma máscara: um disfarce elétrico para o choro contido que insistimos em fantasiar de sorriso. Caminho com a alma cansada, sentindo o peso de passos que já não sabem para onde ir. Meus olhos se perdem no horizonte cinzento, buscando um sentido que o concreto teima em esconder. O chão molhado reflete as luzes e a minha própria solidão, enquanto o frio da noite atravessa a pele e alcança o peito. Sigo assim, um vulto na multidão, sozinho na imensidão de metal e vidro, à procura de um rosto, de um rastro, de alguém que eu sequer saberia nomear, mas que sinto faltar em cada esquina vazia de mim." Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 21/03/2026
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