

CRÔNICAS DE UM PLANETA EM CHAMAS Até quando a ganância e o poder das grandes potências vai exigir sacrifícios cada vez maiores da população? Até quando as trevas irão dominar esse planeta? O silêncio da noite não é mais paz, é o eco de um cansaço profundo que atravessa o solo e vibra no peito. O planeta não apenas gira; ele se contorce em contrações secas, um parto interrompido onde a vida nova parece sufocada antes mesmo de respirar. Até quando o rugido das máquinas e o estalar das queimadas serão a trilha sonora desse nascimento que nunca se concretiza? Olho para o mapa do mundo e vejo um tabuleiro de xadrez onde as peças têm sangue e nome, sacrificadas no altar de um ego geopolítico que nunca se farta. É a aritmética perversa do poder: o luxo de poucos pavimentado pela escassez de muitos. Até quando o banquete das grandes potências exigirá que a mesa do povo seja posta com migalhas e sacrifícios? Parece que as trevas não são apenas a ausência de luz, mas uma neblina densa feita de indiferença e ambição. Elas ocupam os espaços vazios da ética e ditam o ritmo de um relógio que corre contra nós. Fica a pergunta que não quer calar, suspensa no ar pesado: quando é que o grito da Terra e o suspiro do oprimido serão finalmente mais altos do que o tilintar das moedas de ouro? Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 22/03/2026
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