

O BANQUETE DOS ALGOZES E A CEGUEIRA DO OURO Diz a tradição que a justiça é cega para que possa ser imparcial. No entanto, em terras onde o vil metal dita as sentenças, essa cegueira deixou de ser um símbolo de equidade para se tornar uma conveniência sombria. Quando os olhos da lei se fecham, não é para ignorar privilégios, mas para não ver o brilho das moedas que compram o silêncio e a liberdade. Assistimos, com uma passividade que beira a cumplicidade, ao espetáculo daqueles que dilapidam o que é de todos. O patrimônio público, que deveria ser o alicerce de escolas, hospitais e dignidade, é tratado como um espólio de guerra por saqueadores de colarinho branco. O mais trágico, porém, não é apenas o roubo em si, mas a legião de algozes que surge para defendê-los. São mentes brilhantes postas a serviço da sombra, arquitetos do cinismo que, a qualquer preço, transformam o crime em "equívoco" e a ganância em "estratégia". Para esses, não há remorso. A dor do outro é um conceito abstrato, soterrado pelo peso de contas bancárias em paraísos fiscais. Vivemos a era do metalismo moral, onde o valor de um homem é medido pelo que ele pode comprar, inclusive a própria absolvição. Onde a lavagem de dinheiro é apenas uma etapa técnica de um banquete onde o povo nunca é convidado, exceto para pagar a conta. Enquanto a impunidade for vendida como um direito e a consciência for trocada por ouro, continuaremos a ser uma nação que caminha no escuro. Afinal, uma justiça que se deixa cegar pelo lucro não apenas absolve o culpado; ela decreta, com o bater de um martelo banhado a ouro, a falência do futuro de todos nós. Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 22/03/2026
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