

A Miragem da Efetividade: Por que a Gestão Municipal Paulista Sucumbe ao IEGM? O Índice de Efetividade da Gestão Municipal (IEGM), consolidado pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP), tornou-se o termômetro mais rigoroso da administração pública no país. Contudo, os ciclos recentes revelam uma realidade árida: cerca de 87% das prefeituras paulistas não atingem níveis de gestão considerados efetivos, estagnadas nas faixas C (Baixo nível de adequação) ou C+ (Em fase de adequação). Para o corpo técnico do Tribunal, a pergunta é inevitável: por que o estado mais rico da federação apresenta índices de gestão tão frágeis? A resposta reside em uma tríade de deficiências estruturais, agora agravada por um novo cenário jurídico-normativo. 1. O Colapso do Planejamento (O Gargalo do i-Plan) O maior entrave à efetividade reside na área de Planejamento (i-Plan). A esmagadora maioria dos municípios recebe a pior avaliação neste quesito por tratar as peças orçamentárias (PPA, LDO e LOA) como meras formalidades cartoriais. A falta de uma burocracia de Estado profissional faz com que planos de longo prazo sejam abandonados a cada troca de mandato, impedindo a maturação de políticas públicas essenciais. 2. O Desafio da Nova Lei de Licitações (Lei 14.133/2021) A transição para a Nova Lei de Licitações tem sido um divisor de águas negativo para o IEGM no curto prazo. Muitos municípios paulistas, especialmente os de pequeno e médio porte, ainda não estruturaram o Plano de Contratações Anual (PCA) ou o Estudo Técnico Preliminar (ETP) de forma robusta.
3. O "Apagão das Canetas" e a Nova Lei de Improbidade As alterações na Lei de Improbidade Administrativa (Lei 14.230/2021), que passou a exigir o dolo específico para a condenação, trouxeram um efeito colateral complexo. Embora proteja o bom gestor contra punições por meros erros formais, ela também gerou uma zona de "conforto ou inércia".
4. O Estrangulamento Fiscal e a Inteligência em TI O i-Fiscal revela um cenário de vulnerabilidade. A resistência política em atualizar arrecadações próprias (como o IPTU) deixa o município refém de repasses externos. Somado a isso, o déficit em i-Gov TI impede que o gestor tenha dados em tempo real. Sem processos digitais integrados, a prefeitura perde eficiência e transparência, sendo punida severamente pela metodologia do índice. Conclusão: O Papel do Auditor como Indutor de Resultados Para os Auditores de Controle Externo, o desafio ultrapassa a verificação da legalidade. O IEGM mudou o paradigma: não basta gastar dentro da lei; é preciso gastar com resultado. A persistência das notas baixas indica que a riqueza financeira de São Paulo não tem sido acompanhada pela "riqueza de gestão". O índice é um diagnóstico claro: sem a profissionalização da máquina, a correta adaptação à Nova Lei de Licitações e um planejamento que sobreviva aos calendários eleitorais, a efetividade continuará sendo um selo inalcançável para a maioria dos prefeitos paulistas. Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 23/03/2026
Alterado em 23/03/2026 Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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