

A Universalidade do IEG-M: A Isonomia na Fiscalização de Resultados entre Pequenos e Grandes Municípios 1. Introdução: O Desafio da Padronização O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP), ao consolidar o Índice de Efetividade da Gestão Municipal (IEG-M), estabeleceu uma métrica idêntica de pesos e indicadores para cidades de 5 mil ou 12 milhões de habitantes. Essa escolha não é meramente operacional, mas fundamentada no princípio da indisponibilidade do interesse público, onde a qualidade do serviço essencial não deve variar conforme a arrecadação ou o porte populacional. 2. Fundamentação Constitucional: O Princípio da Eficiência (Art. 37, CF/88) A aplicação do mesmo peso (ex: 20% para Saúde e Educação) para todos os municípios ancora-se no Princípio da Eficiência, introduzido pela EC 19/98. A doutrina de Hely Lopes Meirelles sustenta que a eficiência é o dever de obter os melhores resultados com o mínimo de recursos. Para o TCESP, a eficácia de uma vacina ou a alfabetização de uma criança tem o mesmo valor social em uma metrópole ou num vilarejo. Portanto, a régua de medição deve ser a mesma para garantir que o cidadão do pequeno município não seja tratado como "cidadão de segunda classe" pela administração pública. 3. Isonomia e a Teoria dos Pesos Iguais A aplicação de pesos iguais fundamenta-se na Isonomia Material. Segundo Celso Antônio Bandeira de Mello, o princípio da igualdade pressupõe que a lei (ou o controle externo) não crie diferenciações arbitrárias.
4. Jurisprudência do TCESP e a Rejeição de Contas A jurisprudência consolidada do TCESP (ex: TC-000456.989.18-2) demonstra que notas baixas no IEG-M (faixas C e C+), independentemente do porte da cidade, são utilizadas como agravantes no julgamento das contas ordinárias. O Tribunal entende que:
5. O Impacto da Gestão de Resultados O IEG-M funciona como um perfil de desempenho. Ao manter os mesmos pesos, o TCESP cria um ranking que permite o benchmarking (comparação de boas práticas). Se um município pequeno atinge nota "A" em Saúde com poucos recursos, ele prova que a ineficiência de um município grande não é falta de dinheiro, mas falha de gestão. 6. Conclusão A aplicação de pesos uniformes no IEG-M é o instrumento que o controle externo utiliza para materializar o Direito à Boa Administração. Ao exigir o mesmo nível de planejamento (i-Plan) e fiscalização (i-Fiscal) de todos os prefeitos, o TCESP assegura que a federação brasileira caminhe para uma padronização de serviços públicos básicos, punindo a negligência administrativa sob o manto da "falta de estrutura". 7. Estratégias de Superação: O Papel dos Consórcios e da Gestão Compartilhada Para os pequenos municípios, a manutenção dos mesmos pesos no IEG-M impõe o desafio da escassez de quadros técnicos. A doutrina de Maria Sylvia Zanella Di Pietro destaca que o associativismo público (Lei nº 11.107/05) é o caminho para a eficiência.
8. Consequências Jurídicas: Da Recomendação à Rejeição de Contas A persistência em faixas de baixa efetividade (C ou C+) deixa de ser apenas um dado estatístico e passa a figurar como irregularidade de natureza grave. A jurisprudência do TCESP tem evoluído para entender que o descaso reiterado com o IEG-M configura:
9. Conclusão Atualizada Portanto, a uniformidade de pesos entre grandes e pequenos municípios no IEG-M é o mecanismo que impede o "vazio de fiscalização" nas cidades menores. Sob a ótica da Jurisprudência do TCESP, a efetividade não é um luxo das metrópoles, mas um dever de ofício de qualquer gestor. A régua única nivela o país por cima, transformando o índice em um verdadeiro "exame de saúde" da administração pública paulista. Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 25/03/2026
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