

Crônica de uma Insensatez Coletiva Brasil de hoje não é para amadores, é para psiquiatras forenses. Vivemos num transe coletivo onde a realidade foi substituída por um algoritmo histérico, uma espécie de metástase digital que corrói o que restou da nossa lucidez. Olho para Brasília e vejo um baile de máscaras onde as máscaras grudaram no rosto e ninguém mais sabe quem é o vilão, quem é o herói e quem é apenas o figurante esperando o próximo Pix. É a estética do absurdo. De um lado, um messianismo de churrascaria, tacanho, que vê conspiração até no formato das nuvens; do outro, uma liturgia mofada, um pragmatismo de veludo que tenta costurar o país com as linhas podres do "toma lá, dá cá". Estamos todos mergulhados nessa geleia geral, nessa pajelança ideológica onde o debate público virou uma briga de trânsito em escala nacional. Não se discute o país; discute-se o fígado do adversário. O brasileiro médio, coitado, está exausto. Ele acorda, toma um café ralo e é bombardeado por uma saraivada de pós-verdades que o obrigam a escolher entre o precipício e o abismo, enquanto a inflação, essa velha senhora implacável, rói as beiradas do seu prato. Viramos uma nação de comentaristas de portal, destilando um ódio que, no fundo, é apenas uma carência metafísica. Queríamos ser a "Belíndia", mas acabamos virando um imenso grupo de WhatsApp administrado por um louco. Falta silêncio. Falta aquela melancolia produtiva que nos fazia olhar para o horizonte e desejar algo além do próximo escândalo. O Brasil não precisa de novos mitos ou de velhas promessas. O Brasil precisa de um banho de realidade, de um choque de iluminismo básico para ver se a gente para de latir para a própria sombra. Enquanto a gente se degladia por símbolos vazios, o tempo passa, a história boceja e o futuro, esse sujeito elegante, vai embora de fininho, sem nem olhar para trás. Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 25/03/2026
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