

O Grande Bordel da Esperança Eletrônica O Brasil é essa mãe negligente que esqueceu os filhos na calçada enquanto retoca o rímel para o baile de gala da corrupção. A Pátria não olha para baixo; ela tem torcicolo de tanto olhar para o próprio umbigo oficial. É uma entidade de gesso, um mito de repartição que só ganha vida quando o interesse é extrair o último centavo de um povo que já aprendeu a jantar ilusão. O governo? Ah, o governo é um mestre do ghosting institucional. Eles fazem que atendem com aquela carinha de coroinha arrependido, mas o "atendimento" é um labirinto de espelhos onde você entra com uma queixa e sai com uma guia carimbada que não serve nem para limpar o suor da testa. É o cinismo elevado à categoria de belas artes. Eles te abraçam com uma mão enquanto a outra já está batendo a sua carteira no bolso de trás, tudo com um sorriso de quem acabou de descobrir a cura do câncer, mas esqueceu a fórmula na outra calça. E agora, senhoras e senhores, preparem o estômago: chegamos ao altar do estelionato sentimental. O ano eleitoral. É o momento em que o Brasil real, esse cortiço em chamas, é substituído por um comercial de margarina com filtro de Instagram. Na propaganda eleitoral gratuita, a miséria vira "desafio superado" e o analfabetismo é apenas um detalhe estético que um jingle bem chiclete consegue esconder. O candidato, aquele sujeito que não sabe o preço do pão mas sabe o valor exato de um marqueteiro canalha, aparece na tela com um fundo desfocado, prometendo o paraíso na Terra entre um comercial de sabão em pó e a novela das nove. É a alquimia do lixo: transformam esgoto a céu aberto em "projeto de saneamento avançado" em 30 segundos de inserção. Os problemas seculares do país são resolvidos com um corte seco de edição. A fome? Resolvida com uma trilha sonora emocionante de violinos. A violência? Curada com um aperto de mão num figurante pago para parecer "povo". No horário eleitoral, o Brasil é a Suécia. No resto do dia, continua sendo esse hospício onde o diretor fugiu com a chave e os pacientes estão tentando votar em quem promete mais sedativos. A Pátria de pantufas assiste a tudo isso, bocejando, enquanto espera a próxima pesquisa de intenção de voto para saber qual máscara deve usar amanhã. Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 25/03/2026
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