

A CRUZ COMPARTILHADA: O SIMÃO QUE EXISTE EM NÓS. Neste início de Semana Santa, o Evangelho de Mateus nos apresenta a figura de Simão de Cirene: o homem que voltava do campo e, de repente, foi convocado para carregar o peso de uma dor que não era sua. Hoje, dois mil anos depois, as ruas ainda estão cheias de "Simões". Eles não carregam necessariamente um madeiro bruto, mas sustentam o peso de cruzes invisíveis, muitas vezes em silêncio. Vemos Simão no trabalho, quando um pai ou uma mãe suporta pressões esmagadoras e injustiças para garantir que não falte o pão na mesa. Vemos Simão no casamento, quando um dos cônjuges decide carregar sozinho o peso da paciência, do perdão e da reconciliação, esperando o momento em que o amor possa voltar a caminhar com as próprias pernas. Existem Simões nas dificuldades do dia a dia: no cansaço da rotina, na luta contra uma doença silenciosa ou na solidão de quem cuida de um familiar enfermo. São pessoas "obrigadas" pelas circunstâncias da vida a abraçar um sofrimento que preferiam evitar, mas que, ao fazê-lo, tornam o caminho de alguém um pouco menos insuportável. A beleza do gesto de Simão de Cirene não está na escolha — pois ele foi forçado —, mas na presença. Ele nos ensina que ninguém deveria subir o Calvário sozinho. Que possamos reconhecer os "Simões" que nos ajudam a carregar nossas cargas e, quando necessário, tenhamos a coragem de ser o Cireneu na vida de quem está prestes a desfalecer. Que nesta semana, nosso olhar seja atento para perceber quem ao nosso lado está precisando de um ombro para dividir o peso da cruz. Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 29/03/2026
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