

O INVENTÁRIO DO QUE FICOU Às vezes o pensamento ancora em portos que nem existem mais. É um cheiro de chuva que traz de volta o ontem, aquele tempo em que o relógio não corria, apenas caminhava. Dá uma pontada de saudade, não do que foi ruim, mas daquela leveza que a gente só percebe que tinha quando ela vira memória. Aí surgem os vultos dos amores não vividos. Aqueles olhares que ficaram na plataforma, as frases que engoli por medo ou timing errado. Ficam ali, numa prateleira de "e se?", suspensos no tempo como fantasmas gentis. Não doem mais, mas decoram o silêncio com a beleza do que poderia ter sido poesia. Mas o peito estufa quando olho para as vitórias que acumulei. Não as grandes medalhas, mas as conquistas silenciosas: os "nãos" que aprendi a dizer, os tombos dos quais levantei com a alma limpa e a maturidade que só o tempo, esse mestre rigoroso, soube esculpir. Cada ruga de expressão é um troféu de uma batalha que eu venci, mesmo quando achei que ia perder. E o que vem agora? A esperança não é mais aquela euforia cega da juventude, mas uma certeza calma. É saber que o amanhã ainda guarda segredos, encontros inesperados e uma luz que só se acende para quem continua caminhando. O passado é solo, o presente é semente e o futuro... bem, o futuro é o horizonte que eu escolho abraçar todos os dias Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 02/04/2026
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