

O AVESSO DA METRÓPOLE Entre as frestas do asfalto frio, onde a cidade parece endurecer o peito, nasce um tipo teimoso de verde. É uma esperança feita de concreto e luz de poste, que entende que desencontrar-se é, às vezes, o único jeito de se recalcular. Meus fragmentos — antes espalhados como vidro quebrado na avenida — agora brilham como pontos cardeais. Aprendi que o amor não precisa ser um choque frontal no cruzamento; ele pode ser o café quente que resta na mão enquanto o ônibus não vem. A cidade não é só silêncio e pressa; é também o encontro inesperado de olhares no reflexo do metrô, o reconhecimento de que, sob a pele urbana, todos pulsamos na mesma frequência de busca. O cinza das ruas agora serve de tela para o que ainda vou pintar. Se nos perdemos em esquinas passadas, é porque o destino está guardando uma avenida inteira de possibilidades logo ali, depois do próximo semáforo. Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 05/04/2026
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