SÓ A VERDADE NOS LIBERTARÁ

"Somos anjos perdidos. Asas mortas no chão desde a primeira audição da palavra impossível" F. Rocha

Textos

O EXÍLIO DA IMENSIDÃO

Diante da vastidão do espírito imortal, a existência humana assemelha-se ao piscar de uma pálpebra no abismo do tempo.

Somos seres tecidos com poeira de estrelas e sopro divino, projetados para a infinitude, mas que frequentemente escolhem habitar o rés-do-chão das miudezas.

É um paradoxo quase trágico: portamos em nós a herança do eterno, mas nos deixamos encarcerar em grades invisíveis forjadas por melindres e vaidades.

Gastamos a moeda preciosa dos nossos dias com o troco vil das mesquinharias.

Discutimos por migalhas de atenção, alimentamos rancores por silêncios não preenchidos e erguemos muros de orgulho em terrenos onde o espírito deveria apenas semear pontes.

Nos relacionamentos, essa pequenez se torna mais evidente.

O ser humano, em sua insegurança, tenta medir o imensurável e possuir o que é livre.

Perdemos o fôlego em competições de ego, no "quem amou menos" ou no "quem deve o pedido de desculpas", esquecendo que o espírito não conhece essas contabilidades.

Ele não entende de dívida ou crédito; ele entende de expansão.

Viver preso ao detalhe medíocre de uma ofensa passageira é como tentar conter o oceano em um copo descartável.

É um desperdício de eternidade.

Se tivéssemos a real dimensão da nossa brevidade física, não haveria tempo para o desdém ou para a indiferença.

Cada segundo de convivência seria visto como o que realmente é: um ensaio sagrado de comunhão antes que a alma retorne ao seu lar sem fronteiras.

Que possamos, enfim, olhar por cima dos muros dos nossos pequenos conflitos e enxergar a imensidão que nos habita.

Afinal, para quem é imortal, qualquer mesquinharia é um exílio desnecessário da própria luz.

Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 06/04/2026
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