SÓ A VERDADE NOS LIBERTARÁ

"Somos anjos perdidos. Asas mortas no chão desde a primeira audição da palavra impossível" F. Rocha

Textos

O SILÊNCIO DO BEIJO E O EXÍLIO DO AFETO

O sagrado do matrimônio tem sido saqueado pelo cotidiano. Entre as paredes de casa, as paixões humanas muitas vezes deixam de ser um fogo compartilhado para se tornarem brasas cobertas pelas cinzas do hábito. O "nós" vai cedendo espaço ao isolamento a dois, onde a falta de respeito se camufla na falta de atenção.

O sumiço do beijo na boca entre marido e esposa é o sintoma mais doloroso dessa erosão. O beijo, que um dia foi o portal da entrega, torna-se um selinho protocolar ou um gesto esquecido entre o cansaço e a rotina. Sem esse toque, a intimidade se esvazia; o quarto deixa de ser um santuário para virar um dormitório de estranhos que dividem a mesma conta bancária, mas não o mesmo universo.

Respeitar o cônjuge não é apenas evitar o grito, é não permitir que o outro se torne invisível. É entender que a paixão exige manutenção, e a intimidade exige a coragem de largar o celular para segurar o rosto do outro. Quando o respeito falha e o carinho se retira, a relação perde sua alma, restando apenas dois indivíduos que coabitam, mas que já não se encontram no fôlego um do outro.


🌹 O amor maduro não morre por falta de sentimento, mas por falta de celebração da presença.

Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 27/04/2026
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