

A GEOMETRIA DO ARREPENDIMENTO O peso de uma vida reside no silêncio das vidas que não vivemos. Habitamos um universo onde a existência é uma escultura feita de renúncias; cada "sim" que proferimos é o golpe de cinzel que remove, para sempre, o mármore de um "não" que poderia ter sido tudo. Como Nemo Adulto, passamos a maior parte do tempo parados na plataforma, olhando para os trilhos, tentando calcular o ângulo exato da felicidade, esquecendo que o trilho só ganha sentido quando o trem se move. O sofrimento humano não nasce da escolha errada, mas da ilusão de que existia uma escolha perfeita. Projetamos no futuro uma versão de nós mesmos que nunca sente falta do que ficou para trás, um "eu" idealizado que habita todas as realidades simultaneamente. No entanto, a profundidade nos revela que:
A verdadeira transcendência não é saber para onde ir, mas aceitar que, ao fechar os olhos e escolher um rosto para amar ou uma rua para morar, estamos colapsando o caos em poesia. O "nada" de Nemo não é ausência, é a totalidade de quem não se deixou fragmentar pelo medo da perda. No fim, somos o resultado de todas as fumaças que não perseguimos. E isso é, simultaneamente, nossa maior tragédia e nossa única beleza. Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 29/04/2026
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