

O LABIRINTO DAS VERSÕES PERDIDAS O choque entre universos paralelos não é uma explosão barulhenta, mas um sussurro estilhaçado. Imagine que a realidade é um espelho que caiu no chão; em cada fragmento, o Sr. Ninguém encara a si mesmo, mas os olhos que devolvem o reflexo nunca são os mesmos. Em um plano, ele é o arquiteto de cidades flutuantes, um semideus da lógica que esqueceu o som da chuva. No fragmento ao lado, ele é um operário de pulmões acinzentados, apertando parafusos em uma distopia de engrenagens que nunca param, onde o Sol é apenas uma lenda contada em sussurros nos bueiros. O "Eu" é uma multidão de possibilidades não realizadas. Em uma dobra do tempo, ele escolheu o "sim" e colheu o império; em outra, o "não" o tornou um eremita das palavras. Quando esses universos se tocam, o Sr. Ninguém sente uma vertigem existencial: a náusea de perceber que sua identidade é apenas um acidente geográfico no multiverso. Ele é, ao mesmo tempo, o carrasco e a vítima, o rei e o mendigo. O choque das realidades mostra que não somos uma linha reta, mas uma mancha de óleo expandindo-se em todas as direções. O Sr. Ninguém do imaginário habita esse entre-lugar, onde a única constante é a percepção de que, em algum lugar, agora mesmo, ele está vivendo o inferno que aqui ele chama de sonho — e vice-versa. Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 21/05/2026
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