

AVALANCHES DA ALMA As emoções desenfreadas não pedem licença; elas são fenômenos geológicos da alma. Muitas vezes, passamos dias, meses ou anos construindo diques de civilidade, sorrisos de conveniência e silêncios contidos, acreditando piamente que temos as rédeas do que sentimos. Mas a psique tem sua própria gravidade. Quando o acúmulo de silêncios se torna pesado demais, ocorre a avalanche. É um movimento tectônico interno que ignora o relógio e a etiqueta. A dor, o choro e a raiva não escolhem o cenário ideal: eles rompem no meio de uma reunião importante, no silêncio de um corredor lotado ou no ápice de uma celebração onde o figurino exigia apenas alegria. Nesse instante, o ser humano é despido de suas máscaras sociais. O choro não é apenas lágrima, é o extravasamento de uma represa que cedeu. A raiva não é descontrole, é o grito de uma injustiça interna que não aceita mais o cativeiro. E a dor, em sua forma mais crua, é o lembrete de que somos terrivelmente vivos. No "lugar errado" e na "hora errada", essas avalanches provam que o coração não é um escritório organizado, mas uma força da natureza que, de tempos em tempos, precisa redesenhar a própria paisagem para não sufocar. Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 10/06/2026
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