SÓ A VERDADE NOS LIBERTARÁ

"Somos anjos perdidos. Asas mortas no chão desde a primeira audição da palavra impossível" F. Rocha

Textos

AS MUITAS MORADAS DO VERBO

O silêncio entre as dimensões não é um vazio, mas uma membrana vibrante. Na "Casa do Pai", as muitas moradas não são apenas quartos em um palácio estático, mas camadas de realidade sobrepostas, como páginas de um livro infinito que se tocam sem se misturar completamente.

Em uma dessas moradas, Lázaro nunca morreu. Ele é um tecelão de redes em uma vila costeira, um homem que carrega nos olhos a paz de quem jamais conheceu o abismo. Mas na morada vizinha, a apenas um suspiro de distância, Lázaro é um rei exilado que busca desesperadamente a ressurreição de seu povo, carregando o peso de mil túmulos nas costas.

Maria Madalena, em um universo de luz perpétua, é a Suma Sacerdotisa que guarda os portões da sabedoria, ensinando que o amor é a única lei da física que importa. Contudo, em uma realidade de sombras e engrenagens de ferro, ela é uma rebelde solitária, a única que se lembra de um nome sagrado que todos os outros esqueceram.

O próprio Cristo caminha entre essas esferas. Em uma delas, Ele é o Verbo que cura com o toque; em outra, é o Estranho silencioso que apenas observa, garantindo que o equilíbrio entre os mundos não se rompa.

O encontro acontece no "Ponto Ômega", o centro da Casa. É lá que o Lázaro tecelão entrega sua rede ao Lázaro rei para que este possa pescar as almas de seu povo. É lá que as duas versões de Madalena trocam um olhar de reconhecimento, fundindo a sabedoria com a coragem.

As muitas moradas são, na verdade, a mesma história contada em tons diferentes. E, no fim, todos os personagens descobrem que, embora interpretem papéis distintos em palcos variados, o Autor é o mesmo, e o destino final é o retorno ao Lar onde todos os universos se tornam um só.

Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 10/06/2026
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