

LUZES QUE NÃO AQUECEM O PEITO O silêncio do cosmos é o único manto capaz de cobrir uma dor que não cabe em um planeta. Na cabine da minha nau prateada, o universo se estende como um oceano de filamentos luminosos, onde o tempo perde o sentido e a distância se mede pela intensidade do esquecimento. Cruzo o infinito não apenas para mapear constelações desconhecidas ou desvendar os segredos guardados no coração de estrelas moribundas. Viajo porque ficar no mundo onde nasci significava sufocar na atmosfera de um amor que nunca floresceu. Atrás de mim, deixei a gravidade de um olhar que jamais me viu por inteiro. É uma ironia universal: cruzar galáxias inteiras à procura de vida exterior, quando a maior busca é pelo eco de mim mesmo que se perdeu na rejeição. Cada salto quântico é uma tentativa de rasgar o tecido daquela velha angústia, uma dor profunda que insiste em viajar comigo, pesando mais do que qualquer metal da fuselagem. Sei que a jornada só terá fim quando a minha órbita cruzar com alguém que não me peça para mudar de forma, de brilho ou de essência. Alguém que me ame exatamente pelo que sou: um eterno peregrino que carrega a poeira de mil mundos nos olhos e a esperança de um abraço definitivo no peito. Até lá, continuo navegando pelo escuro, sabendo que a luz mais difícil de encontrar é aquela que pacifica o próprio coração. Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 22/06/2026
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