SÓ A VERDADE NOS LIBERTARÁ

"Somos anjos perdidos. Asas mortas no chão desde a primeira audição da palavra impossível" F. Rocha

Textos

O ECO DOS INVISÍVEIS

noite gélida e molhada da grande metrópole não apenas resfria o corpo, mas petrifica a alma de quem observa os seus contrastes mais cruéis.

O vento corta as esquinas e traz consigo um calafrio arrepiante. Pelos becos escuros, vultos maltrapilhos movem-se lentamente como zumbis urbanos. Eles são o resultado prático de uma engrenagem que exclui, ignora e desumaniza. Enquanto a massa caminha anestesiada, os invisíveis arrastam a própria existência pelo asfalto úmido.

Essa realidade escancara a hipocrisia de uma sociedade que desvia o olhar e o cinismo de políticos que operam por ciclos. Eles surgem sorridentes, performáticos e sintonizados com o povo apenas quando necessitam do voto.

  • A promessa: O voto depositado nas urnas é tratado como um contrato sagrado pela população.

  • A realidade: Após a apuração, o compromisso é sumariamente esquecido nos gabinetes luxuosos.

  • O banquete: Vermes alimentam-se em mesas fartas, protegidos pelo distanciamento social e econômico.

A grande massa, que sustenta o topo dessa pirâmide com suor e tributos, foi ensinada a comemorar o mínimo. Contentam-se e alegram-se com as migalhas que caem dessas mesas nojentas e ricas. O assistencialismo temporário substitui a dignidade estrutural, perpetuando o ciclo de dependência.

A pergunta que ecoa no estalar dos dentes pelo frio e na indignação engasgada na garganta permanece sem resposta: até quando o estômago vazio suportará o peso dessa opulência hipócrita?

Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 24/06/2026
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