

O ECO DOS INVISÍVEIS noite gélida e molhada da grande metrópole não apenas resfria o corpo, mas petrifica a alma de quem observa os seus contrastes mais cruéis. O vento corta as esquinas e traz consigo um calafrio arrepiante. Pelos becos escuros, vultos maltrapilhos movem-se lentamente como zumbis urbanos. Eles são o resultado prático de uma engrenagem que exclui, ignora e desumaniza. Enquanto a massa caminha anestesiada, os invisíveis arrastam a própria existência pelo asfalto úmido. Essa realidade escancara a hipocrisia de uma sociedade que desvia o olhar e o cinismo de políticos que operam por ciclos. Eles surgem sorridentes, performáticos e sintonizados com o povo apenas quando necessitam do voto.
A grande massa, que sustenta o topo dessa pirâmide com suor e tributos, foi ensinada a comemorar o mínimo. Contentam-se e alegram-se com as migalhas que caem dessas mesas nojentas e ricas. O assistencialismo temporário substitui a dignidade estrutural, perpetuando o ciclo de dependência. A pergunta que ecoa no estalar dos dentes pelo frio e na indignação engasgada na garganta permanece sem resposta: até quando o estômago vazio suportará o peso dessa opulência hipócrita? Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 24/06/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|