

QUANDO A TERRA RASGOU O VÉU O que estava adormecido não mandou aviso prévio, não usou algoritmos e ignorou as notificações. Irrompeu do silêncio ancestral da terra, rasgando o véu de uma humanidade que desaprendeu a olhar para cima. Estávamos ocupados demais enquadrando a vida em dezoito por nove. Vivíamos na ditadura do clique, alimentando egos com corações de pixels e medindo a própria existência pela velocidade da banda larga. A nossa pele já não tocava o mundo; tocava apenas o vidro frio das telas. Então, o intangível despertou. Não veio em formato de vídeo curto ou tendência passageira. Veio como um sopro antigo, uma força visceral que não aceita curtidas e desdenha de compartilhamentos. Veio lembrar que o sangue pulsa antes do bit, que o choro ecoa sem filtro e que a dor do isolamento real não se cura com engajamento. Diante do colapso do virtual, a humanidade olhou para as próprias mãos vazias. Descobrimos, enfim, que ninguém consegue abraçar uma projeção e que a nossa urgência sempre foi, e sempre será, o abraço físico, o chão firme e o olhar demorado. O que estava adormecido nos forçou a acordar. Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 27/06/2026
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