

TÁTICA DE BOTECO E OUTROS DRIBLES O Bar do Wilson é uma embaixada da felicidade com cheiro de pastel de carne e chope gelado. Na mesa dos fundos, a "turma do funil" já escalava a Seleção Brasileira para o jogo contra a Noruega. O clima de Copa do Mundo transformava qualquer quinta-feira em final de campeonato. A Escalação do Boteco
O Esquema Tático Valdir abriu o mapa do jogo riscando o guardanapo com uma caneta estourada. — Meus compatriotas, a Noruega joga no frio, na base da retenção de fundos. Precisamos de um centroavante de peso, alguém com capital político na grande área! — Esquece o centroavante, doutor! — interrompeu Maurício, ajeitando o topete. — O negócio da Noruega é a loirice. Se o técnico me bota na ponta direita, eu entro driblando e só paro no camarote delas. Chicão deu um sobressalto na cadeira. O celular vibrou. — Se a Carminha descobrir que gastei dez reais no bolão, ela me bota para jogar na geladeira. Ô Wilson, traz uma água com gás para disfarçar o bafo de cerveja! Foi a deixa perfeita para Tonho, o mestre do drible financeiro. Ele pegou o guardanapo tático do Dr. Valdir, fingiu analisar o esquema com profunda seriedade e sentenciou: — O esquema é o seguinte: eu vou ali no balcão pegar mais um espetinho e já volto para fechar a nossa vaquinha do bolão. Confia. O Apito Final Duas horas depois, a escalação estava pronta, mas o Tonho não voltou. Ele já assistia ao pré-jogo da TV do balcão, petiscando um torresmo que o Wilson nem tinha cobrado ainda. A Noruega que se cuidasse. Diante daquela comissão técnica de boteco, nenhum país do mundo tinha tática que funcionasse. Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 02/07/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|