

Ecos do Tempo em Mim Hoje, minha mente resolveu romper as amarras do presente. Ela divaga por caminhos que meus pés físicos nunca pisaram, terras sem nome, horizontes pintados com cores que eu não sabia existir. Perco-me propositalmente nesses labirintos desconhecidos da consciência. No entanto, o mais estranho não é o novo, mas a súbita e avassaladora sensação de familiaridade que me assalta a cada curva desse pensamento. É um déjà vu constante, nítido e profundo. De repente, uma paisagem desconhecida me abraça como um velho lar. Olho para o nada e sinto que já frequentei aquelas colinas, que já vivi sob aquele céu cinzento ou dourado. São fragmentos de épocas remotas, memórias que não pertencem à minha biografia atual, mas que parecem gravadas a ferro e fogo no tecido mais íntimo do meu espírito e da minha alma. Tudo ressurge em uma correnteza sensorial: o perfume de um vento antigo, o eco de vozes que já não sei o nome, o toque de mãos que outrora guiaram meus passos em séculos esquecidos. Rostos passam por mim e, embora a minha mente lógica tente esquecer, o meu coração reconhece cada olhar. É um reencontro sem palavras com pessoas que amei e com lugares onde já fui feliz ou onde já chorei. O que me resta agora é esse misto incontrolável de sensações. Sinto a alegria vibrante de saber que sou infinito, que trago em mim uma bagagem imensa de existências e histórias. Sinto a surpresa genuína diante da grandiosidade do invisível. E, por fim, sou inundado por uma melancolia mansa — aquela saudade bonita e dolorosa de um tempo que já foi, de um lugar para onde não posso voltar agora, mas que continua vivo e pulsando bem aqui, dentro de mim. Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 08/07/2026
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