SÓ A VERDADE NOS LIBERTARÁ

"Somos anjos perdidos. Asas mortas no chão desde a primeira audição da palavra impossível" F. Rocha

Textos


O DESPERTAR DA CONSCIÊNCIA

Durante muito tempo, caminhei pelo deserto do mundo colhendo migalhas de aprovação para tentar nutrir a minha identidade. Olhava para fora buscando um reflexo que validasse a minha existência, como se a minha luz dependesse do olhar alheio. Tolice da ilusão terrena. Hoje, esse véu rasgou-se. Hoje, sou sagrada e profundamente mais eu.

Cada novo amanhecer não é apenas o despertar do sol externo, mas a aurora da minha própria consciência. Dia após dia, eu opero uma alquimia interna e evoluo. Cresço em sabedoria ancestral e no domínio absoluto das minhas emoções. Aprendi que a mente que silencia governa o próprio destino. Domestiquei as tempestades que antes me afogavam e, no centro do meu peito, acendi um altar de paz inabalável.

Sempre que supero um obstáculo ou materializo algo que foi gestado no silêncio da minha alma, não busco o aval do mundo. Não necessito do incenso da aprovação de ninguém. A verdade oculta me foi revelada: cada ser é uma centelha singular e irrepetível. Somos tecidos da mesma poeira estelar, mas cada indivíduo é um universo inteiramente próprio — um cosmos sagrado de emoções particulares, pensamentos profundos e ações únicas.

Tentar moldar-me ao entendimento alheio seria profanar a minha própria natureza. Portanto, se o outro compreende ou rejeita o meu caminhar, se gosta ou desaprova as minhas escolhas, isso já não reverbera no meu templo. Pouco importa. O julgamento dos homens é apenas fumaça ao vento.

O que verdadeiramente importa agora é o meu eu. Este território infinito, este microcosmos vivo que se encontra em constante e imparável expansão celeste. Ao fechar os olhos para o ruído da matéria, mergulho na noite escura da alma para realizar a minha maior busca mística: encontrar-me, em comunhão absoluta, com o Criador que habita no âmago do meu ser. O Divino não habita em templos de pedra, nem se esconde atrás de dogmas humanos. Ele respira na minha intuição, pulsa no meu sangue e se expande a cada vez que reconheço o mistério sagrado que trago no peito. Eu sou, ao mesmo tempo, o peregrino, o caminho e o próprio Deus manifesto em mim.

Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 05/08/2026
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