

AURORA DE SI MESMO Coração. Chora. Ri. Batia compassado, mas parecia perdido no próprio peito. Hoje, finalmente, ele está se encontrando com ele mesmo. Uma nova aurora surge à sua frente, rasgando o manto cinzento que por tanto tempo cobriu os seus dias. Um sol brilhante, imponente e quente emerge no horizonte, sussurrando um segredo antigo: hoje será o dia mais feliz da sua vida. Não por causa de um acontecimento externo, mas pela revolução que acontece do lado de dentro. Pois, depois de tantas tempestades silenciosas, ele se libertou de todos os seus fantasmas. Deixou para trás os medos que o acorrentavam e as desilusões que insistiam em ditar o seu valor. Por muito tempo, esse mesmo coração ofereceu amor incondicional a quem nunca soube sentir, decifrar ou receber. Foi um doador solitário em um deserto de indiferença. Sofreu muito por isso. Sangrou em silêncio, recolhendo os próprios pedaços enquanto tentava curar quem não queria ser curado. Mas a dor cansa, e o cansaço ensina. Agora, as trombetas da liberdade ecoam na manhã radiante e quente, anunciando o fim da guerra interna. O ar parece mais leve. Os passos, mais firmes. É como se a própria vida chegasse de braços abertos para oferecer um brinde de vitória e libertação a ele mesmo. Um brinde ao sobrevivente. Nesse recomeço dourado, ele desvendou o maior mistério da existência: descobriu que o primeiro amor deve ser, obrigatoriamente, para si mesmo. O resto não é busca; o resto é consequência. Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 06/08/2026
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