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Deglutição da Toga: O STF e o Suicídio de Veludo do Brasil

Olhem para eles. Olhem bem para aquelas figuras que se movem com a lentidão paquidérmica de deuses de província sob o peso de capas pretas que parecem saídas de um filme expressionista alemão de terceira categoria. Ali está o Brasil, senhoras e senhores. Não o Brasil do samba, do suor e da miséria honesta das esquinas, mas o Brasil da empulhação jurídica, do bacharelismo ornamental que sequestrou o destino de duzentos milhões de otários.

O STF virou uma ópera bufa dirigida por um expressionista bêbado.

Nas últimas semanas, o que assistimos não é um debate constitucional; é um strip-tease institucional em praça pública. Os ministros, outrora semideuses intocáveis que falavam um latim de quermesse para fingir erudição, agora se engalfinham em vazamentos subterrâneos, áudios clandestinos e relatórios sob encomenda. A República não faliu ontem; ela está sendo liquidada na bacia das almas, entre um despacho sigiloso e um cafezinho servido por garçons de luvas brancas que guardam segredos de estado no bolso do paletó.

É a pornografia do poder. Antigamente, os escândalos tinham a dignidade da malandragem: o racha do orçamento, a mala de dinheiro no hotel de Brasília, o suborno na garagem. Era feio, mas era humano, compreensível na nossa tradição de capitanias hereditárias. Mas o que está acontecendo no STF é pior: é o autoritarismo estético, a vaidade patológica erigida à categoria de jurisprudência. Um ministro acorda com um mau humor digestivo e decide salvar a democracia destruindo as leis; outro, para vingar-se do colega de bancada, vaza um calhamaço de conversas de WhatsApp que expõem as entranhas apodrecidas do tribunal.

E nós, a plateia de zumbis alimentados a base de algoritmos e ódio digital, assistimos a tudo com a boca aberta, babando uma indignação impotente.

Eles se acham os cirurgiões de um país em coma, mas são apenas os parasitas que discutem a cor do lençol enquanto o paciente morre de infecção generalizada. O "devido processo legal" virou um chiclete mastigado na boca de iluminados que decidiram que a Constituição é apenas um rascunho malfeito que eles têm o dever divino de corrigir toda quarta-feira à tarde.

O STF não está julgando o Brasil. O STF está devorando o Brasil em um banquete antropofágico de vaidades, onde o prato principal é o nosso futuro. E o pior, a piada final desse script de terror, é que no final da sessão, eles limpam a boca com guardanapos de linho, batem o martelo e entram em seus carros blindados, convictos de que estão nos salvando de nós mesmos.

Que Deus tenha misericórdia desta República de bacharéis tarados pelo próprio poder.

Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 05/09/2026
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