

O ALTAR DE DENTRO A costura invisível do tempo molda a nossa existência entre o peso do que dói e a leveza do que liberta. Caminhamos por uma estrada sinuosa onde as amarguras da vida não são castigos, mas cinzas de onde brota a resiliência. É no silêncio dos amores perdidos que o coração aprende a geometria da saudade; descobrimos que amar também é conjugar o verbo desapegar, guardando na memória o brilho do que foi belo, sem reter as correntes da posse. Essas ausências nos preparam para as vitórias conquistadas, aquelas que não se medem por troféus externos, mas pelas superações silenciosas — o dia em que sorrimos de novo, a noite em que o medo finalmente dormiu. No entanto, o maior paradoxo humano reside na nossa busca obsessiva pela perfeição. É o eterno fracasso do homem: tentar moldar o absoluto com mãos de barro. Erguemo-nos em arrogância, julgando-nos senhores do tempo e do espaço, esquecendo a nossa própria pequenez frente ao universo infinito. Somos apenas um sopro, um breve piscar de olhos em um cosmos salpicado por centenas e milhares de planetas dispersos, poeira cósmica flutuando na imensidão negra. Nossa prepotência desaba diante da grandiosidade de galáxias que nascem e morrem sem nos pedir licença. Mas há consolo em nossa fragilidade. Uma energia que tudo transmuta move os átomos e as almas, lembrando que nenhum estado de dor é permanente. No tear invisível do universo, tudo evolui para o bem maior:
Ao aceitarmos nossa pequenez, paradoxalmente, nos tornamos gigantes. Pois só quem se sabe poeira consegue compreender a beleza de fazer parte do Todo. Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 16/09/2026
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