

DESDE O PRINCIPIO, LOUCO O relógio marca as horas na parede, mas, dentro de mim, o tempo parece ter congelado no exato instante em que deixei de ser o teu destino. Quando a noite cai e o barulho do mundo finalmente silencia, a tua ausência grita. É nesses momentos de solidão inevitável que sou invadido pela saudade avassaladora do teu beijo. Não era apenas o encontro dos nossos lábios; era uma espécie de colisão cósmica, um instante em que o universo inteiro parecia fazer sentido. Sinto falta da textura, do ritmo e, acima de tudo, daquele abraço quente e sensual que você me oferecia sem reservas. Aquele abraço não era apenas um gesto físico; era um labirinto de pele e calor onde eu me perdia de bom grado, um refúgio onde o desejo e a ternura se fundiam de forma tão intensa que era impossível não queimar. Hoje, no entanto, o calor daquelas memórias contrasta dolorosamente com o frio da tua partida. E é no eco desse vazio que a pergunta mais devastadora começa a criar raízes na minha mente: talvez você não me ame, ou, quem sabe, nunca tenha amado. Essa dúvida é um veneno lento. Dói olhar para trás e tentar decifrar se os teus olhares guardavam alguma verdade ou se eram apenas o reflexo do amor que eu projetava em você. É assustador pensar que, enquanto eu construía castelos na nossa história, você talvez estivesse apenas de passagem, com as malas secretamente prontas para o próximo embarque. Mas, contra todas as lógicas e defesas do meu próprio coração, a minha verdade permanece intacta e imutável: eu, desde o princípio, te amei loucamente. Não foi um sentimento que cresceu aos poucos, que pediu licença ou que mediu consequências. Foi um incêndio instantâneo. Eu te desejei da forma mais visceral, urgente e avassaladora possível. Era um querer que transbordava a alma, um impulso que me fazia esquecer de mim para me focar inteiramente em você. Para mim, amar você nunca foi uma escolha racional; foi uma necessidade biológica, uma força da natureza que me arrastou e da qual eu nunca fiz questão de me salvar. Nessa entrega cega, eu não guardei economias. Te ofereci o mundo que eu tinha condições de lhe dar. Talvez o meu mundo fosse simples, talvez faltassem a ele as grandezas e os luxos que o futuro promete, mas ele era repleto de uma devoção que poucos conhecem. Entreguei a você os meus dias mais bonitos, os meus pensamentos mais puros, a minha vulnerabilidade mais sagrada e o melhor da minha energia. Dei tudo o que eu tinha, até o ponto de esvaziar minhas próprias reservas. Se o meu mundo foi pouco para a imensidão do que você procurava, eu aceito o veredito, mas não carrego a culpa do teto desmoronado. Há uma beleza trágica em saber que me gastei por inteiro. Fico aqui, recolhendo os estilhaços desse amor gigante, guardando o calor daquele abraço na memória, enquanto aprendo a sobreviver ao fato de que o meu tudo, para você, acabou sendo nada. Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 19/09/2026
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