SÓ A VERDADE NOS LIBERTARÁ

"Somos anjos perdidos. Asas mortas no chão desde a primeira audição da palavra impossível" F. Rocha

Textos

O Sol por Trás da Cabine

O silêncio que habita o interior de uma cabine eleitoral é diferente de qualquer outro. É o peso concentrado de um país inteiro resumido ao som seco de alguns botões e ao bipe final, que soa como um veredito pessoal. Ao puxar a cortina e sair da cabine, senti uma onda imediata de tranquilidade e felicidade. Cruzar o pátio da escola daquela zona eleitoral foi como tirar um peso dos ombros, a sensação exata e leve de quem acabou de exercer o seu direito mais sagrado: o voto.

Desta vez, não houve hesitação. Não fiquei em cima do muro, esse lugar confortável, mas estéril, onde muitos preferem se abrigar para evitar o peso das escolhas. Eu escolhi. Dei nome, número e rosto às minhas esperanças para os próximos anos. Bati o martelo e decidi os meus candidatos, homens e mulheres em quem deposito a confiança de dias melhores.

Agora, resta a torcida. Torço genuinamente para que sejam eleitos, mas, acima de tudo, torço para que a vitória não os corrompa. O desejo que carrego no peito ao ver os portões da seção ficarem para trás é o de que eles cumpram, com o máximo de honestidade, as propostas e os programas de governo que prometeram. Se entregarem a quase totalidade do que foi desenhado no papel, o futuro já será imensamente mais bonito.

Sei, contudo, que o jogo é complexo. Fica sempre aquela ponta de ceticismo, o receio de que as engrenagens invisíveis da política — esse sistema oculto que tantas vezes parece nos governar à revelia da nossa própria vontade — não se levantem para sabotar as boas intenções. Há forças que operam nas sombras e tentam apagar o brilho das urnas.

Mas hoje escolho a esperança. Olho para o céu do lado de fora e continuo convicto de que o Brasil tem, sim, todas as condições de se erguer. Temos terra, temos gente, temos alma. O nosso destino não é a eterna penumbra; este país nasceu para ser o grande sol e a luz radiante deste planeta. E tudo começa ali, naquele pequeno quadrado de plástico, onde a nossa liberdade aperta o confirma.

Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 04/10/2026
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