

A República dos Sonâmbulos e o Dia 25 As luzes das seções eleitorais vão se apagar no fim do dia 25 de outubro, mas o Brasil continuará acordado, tonto, tateando no escuro de suas próprias ilusões. Quando o último voto cair na urna eletrônica e o nome do novo messias de plantão for anunciado na tela, não haverá banquete nem redenção. O que restará na segunda-feira será o país de sempre: um imenso transatlântico que discute a cor das cortinas enquanto a água da realidade já bate no pescoço. Quem quer que assuma a cadeira presidencial não herdará um reino, mas um hospício a céu aberto. Pelo amor de Deus, salve o Brasil de sua própria cegueira. Salve a educação, que virou um simulacro trágico, onde salas de aula parecem depósitos de adolescentes entediados, ignorando livros para idolatrar telas, enquanto professores fingem que ensinam e o Estado finge que se importa. Nossas crianças não estão sendo educadas para o futuro; estão sendo anestesiadas contra o pensamento. Abra os olhos para a segurança, que se transformou em uma paranoia coletiva institucionalizada. Viramos prisioneiros de nossas próprias casas, cercados por muros altos, arame farpado e o medo líquido que escorre pelas calçadas. Enquanto generais de poltrona debatem teorias sociológicas sobre o crime nas redes sociais, o cidadão comum reza para voltar vivo do trabalho, refém de uma violência que não é mais um desvio, mas a nossa própria arquitetura urbana. E o que dizer da nossa economia, esse eterno voo de galinha amarrada? Vivemos na ilusão de reformas que nunca chegam ao bolso de quem trabalha, sufocados por impostos kafkianos e por um desemprego disfarçado de "empreendedorismo de aplicativo". Quem ganhar o dia 25 terá de arrancar o país dessa aritmética burra de promessas fáceis e milagres fiscais que só enriquecem os mesmos de sempre. Governar essa fratura exposta exige mais do que discursos inflamados ou o rancor destrutivo que alimentamos como um vício. Se o vencedor quiser apenas esmagar a outra metade do povo, terá vencido uma guerra de cinzas. Pelo bem dos que vierem, para que os filhos desta terra não herdem apenas uma carcaça roída pela ideologia, é preciso reconstruir o óbvio. Que o dia seguinte à apuração nos traga a maturidade violenta de entender que a sobrevivência do Brasil depende de pararmos de nos odiar para começarmos, finalmente, a funcionar. Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 17/10/2026
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