

O Circo dos Horrores e a Pátria em Transe O que assistimos ontem, com os olhos estupefatos colados na tela, não foi um debate eleitoral. Foi um exorcismo às avessas, um show de horrores mambembe protagonizado pelos dois candidatos que pleiteiam a cadeira mais importante da República. Ali, sob as luzes frias do estúdio, ruiu a última ilusão de que a política guarda algum parentesco com a civilidade. Assistimos ao sepultamento do debate de ideias e à coroação da barbárie performática. A grande maioria dos eleitores esperava o básico, o óbvio, o mínimo de decência: propostas concretas, planos de governo estruturados, um norte. Queríamos ouvir o que fazer, a partir do primeiro dia de mandato, para começar a estancar as hemorragias sociais e econômicas deste Brasil fraturado. Ninguém é ingênuo. Sabemos perfeitamente que as mazelas históricas da nossa terra não se resolvem da noite para o dia. Mas há uma urgência que ruge nas ruas. Algo tem que ser feito, e rápido. O país tem pressa, tem fome, tem desespero. Em vez disso, o que os paladinos da nossa suposta democracia nos entregaram? Um espetáculo de egos inflados e futilidades destrutivas. Enquanto a economia patina e os problemas sociais se multiplicam como fantasmas no escuro, os candidatos preferiram o ringue da lama, a troca de insultos rasteiros, o deboche coreografado para virar fragmento de rede social. A política brasileira virou isso: um videoclipe de histeria coletiva onde a substância foi devorada pela lacração. O debate virou um espelho grotesco de nós mesmos, revelando o transe em que a nação se encontra. Ficamos órfãos de futuro, assistindo a duas figuras que, em teoria, deveriam guiar o destino de milhões, mas que na prática parecem apenas disputar quem grita mais alto no pátio de um hospício institucionalizado. Faltou a grandeza dos estadistas e sobrou o cinismo dos oportunistas. Se o Brasil é o país do futuro, ontem descobrimos que o futuro foi cancelado por falta de comparecimento dos envolvidos. Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 19/10/2026
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