

A INEVITÁVEL COLHEITAO sol ilumina, o vento anuncia, a chuva purifica. O frio recolhe, o calor transforma. E, entre o caos e a destruição, a natureza insiste em nos ensinar que todo fim carrega a possibilidade de um renascimento. Mas que frutos poderá colher uma sociedade cujas raízes foram corroídas pela ganância, pela luxúria desmedida, pela sede insaciável de poder e pela indiferença diante da desigualdade? Transformamos o necessário em supérfluo, o próximo em adversário e a dignidade humana em moeda de troca. Esquecemos que a verdadeira riqueza não está naquilo que acumulamos, mas naquilo que somos capazes de preservar. Nossos Criadores nos concederam o livre-arbítrio, permitindo-nos escolher as sementes, preparar a terra e decidir o que plantar. Entretanto, na sabedoria das leis que regem a existência, há uma verdade da qual ninguém poderá escapar: Recebemos a liberdade do plantio, mas jamais fomos dispensados da obrigatoriedade da colheita. E quando chegar o tempo de colher, não serão os títulos, as fortunas ou os tronos que determinarão o valor de nossa existência, mas os frutos das escolhas que fizemos. Porque até mesmo das cinzas de uma civilização moralmente adoecida poderá nascer uma nova consciência. A natureza sempre encontra caminhos para renascer. Resta saber se a humanidade terá sabedoria para renascer com ela. Mendes Neto
Enviado por Mendes Neto em 25/10/2026
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